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Resumo dos mercados de 23 a 27 de junho de 2026

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Resumo dos mercados de 23 a 27 de junho de 2026
Foto de AbsolutVision no Unsplash

A semana em que a inteligência artificial assustou os mercados

Resumo dos mercados de 23 a 27 de junho de 2026

Não foi um colapso. Foi uma correção nas ações ligadas à inteligência artificial, depois de meses a subir quase em linha reta. E deixou uma lição clara sobre não teres todos os ovos no mesmo cesto.

Vamos dia a dia.

A semana ao minuto

Segunda-feira, 22 de junho → o mercado já acorda nervoso

Wall Street fecha mista. As tecnológicas já pesam sobre o Nasdaq e o S&P 500, enquanto o Dow, com menos chips, segura-se no verde. O petróleo continua a cair, com sinais de progresso nas negociações entre os EUA e o Irão.

Terça-feira, 23 de junho → o dia em que a Coreia parou

A queda não nasce em Nova Iorque. Nasce em Seul.

O Kospi afunda perto de 10% e aciona um circuit breaker (paragem automática de 20 minutos para travar o pânico). Mais de 2,5 mil milhões de dólares de capital estrangeiro fogem do mercado coreano num só dia. A Samsung e a SK Hynix, que juntas valem metade do índice, caem mais de 12% cada.

O contágio alastra:

  • Japão: Nikkei a perder cerca de 3,5%
  • EUA: índice de chips de Filadélfia a cair à volta de 8%

No fecho americano:

  • Nasdaq −2,21%
  • S&P 500 −1,44%
  • Dow ≈ −0,1% (a aguentar-se)

Entre as cotadas foi sangue: Micron −10%, Qualcomm −8,6%, Arm −8,4%. O índice do medo, o VIX, dispara cerca de um terço.

Quarta-feira, 24 de junho → calmaria tensa, à espera da Micron

Sessão mais arrumada, mas ninguém respira fundo.

  • S&P 500 −0,10% para 7.358,22
  • Nasdaq −0,43% para 25.476,64
  • Dow +0,35% para 51.848,90

O petróleo continua a derreter: o Brent cai mais de 4% para perto dos 74 dólares, de volta a níveis anteriores à guerra. O ouro chega a furar os 4.000 dólares pela primeira vez em sete meses. Toda a atenção nos resultados da Micron, que saem depois do fecho.

Quinta-feira, 25 de junho → a Micron muda o jogo

A fabricante de memórias reporta e os números são difíceis de ignorar:

  • Receita de 41,5 mil milhões de dólares, mais de quatro vezes o valor de há um ano
  • Lucro por ação bem acima do esperado
  • Memória para IA (HBM) esgotada até 2027, com procura a chegar a 2028

A ação dispara cerca de 16% e injeta confiança no setor. A Europa e o PSI apanham boleia.

Mas o mercado mostra o outro lado no mesmo dia. A Apple cai cerca de 6% ao anunciar aumentos de preço nos MacBooks e iPads por causa da escassez de memória. A mesma falta de chips que enche os cofres da Micron encarece os produtos de quem os compra.

Resultado: Dow e industriais no verde, Nasdaq ainda a fechar em baixa. Rotação, não euforia.

Sexta-feira, 26 de junho → a IA volta a tremer

A trégua dura pouco. O Kospi cai outra vez (cerca de 5,8%, novo circuit breaker) e junta-se a notícia de que a OpenAI estaria a ponderar adiar o IPO para 2027, reacendendo dúvidas sobre o financiamento de toda a infraestrutura de IA.

  • S&P 500 −0,05% para 7.354,02
  • Nasdaq −0,24% para 25.297,62 (quinta sessão consecutiva em queda)
  • Dow −0,09% para 51.876,11 (ainda perto de máximos)

Detalhe estrutural: a Alphabet entra no Dow no lugar da Verizon.

O fecho da semana (EUA)

Índice Fecho 26/jun Semana
S&P 500 7.354,02 −2%
Nasdaq Composite 25.297,62 −4,6%
Dow Jones 51.876,11 +0,6%

O Nasdaq está mais de 6% abaixo do máximo de 2 de junho. O dinheiro não fugiu da bolsa, rodou: saiu das tecnológicas mais caras e entrou em setores defensivos (saúde, industriais, consumo básico).

Europa: resistiu melhor do que parecia

  • O STOXX 600 fecha a semana a ganhar cerca de 0,7% e toca máximo histórico na quinta-feira
  • A Bayer dispara perto de 20%, melhor sessão em 23 anos, após vitória no Supremo dos EUA no caso Roundup
  • As tecnológicas europeias (ASML e companhia) respiram na quinta e voltam a cair na sexta

PSI: a vantagem de não ter chips

O PSI quase não tem exposição a chips nem a IA. É feito de bancos, energéticas, retalho e construção. Por isso, enquanto o Nasdaq perdia 4,6%, Lisboa navega quase de lado, perto dos 9.100 pontos.

  • Quarta: o pessimismo global empurra o índice para baixo dos 9.060 pontos
  • Quinta: boleia da Micron, com a EDP a subir mais de 2% e a EDP Renováveis a acompanhar
  • Marco nacional: o BCP mantém-se acima de 1 euro por ação, algo que não acontecia desde 2015

Porque é que isto aconteceu

Três forças a empurrar ao mesmo tempo:

  1. A conta da IA. O mercado não duvida da procura. Duvida do preço. Construir centros de dados custa dezenas de milhares de milhões e o retorno ainda não apareceu na mesma proporção.
  2. Os juros. A inflação preferida da Reserva Federal subiu para o valor mais alto desde outubro de 2023, reabrindo a hipótese de subidas de juros este ano. Juros altos castigam mais as tecnológicas.
  3. O petróleo e o Irão. O crude recuou para níveis pré-guerra (bom para a inflação), mas a trégua continua frágil, com novas acusações na sexta-feira.

O que esta semana te ensina

A lição não é "foge das tecnológicas" nem "compra tudo na queda". É mais simples e mais aborrecida: concentração tem um preço, e esse preço chama-se volatilidade.

  • Quem só tinha chips sentiu −4,6% numa semana
  • Quem estava diversificado (incluindo no "aborrecido" PSI) quase nem deu por nada

E o ponto mais difícil: as maiores quedas foram em empresas sólidas, com procura real. Não mudou a qualidade das empresas. Mudou o humor do mercado. Saber separar as duas coisas é metade do trabalho.

A semana que aí vem

  • Saem os dados do emprego nos EUA, que dão pistas sobre o rumo dos juros
  • A bolsa americana fecha na sexta por causa do feriado de 4 de julho, com menos volume e movimentos mais nervosos

Os valores correspondem aos fechos das respetivas sessões e podem ser revistos. Conteúdo informativo e educativo, não constitui aconselhamento financeiro. Faz sempre a tua própria análise.

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