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Bolsa hoje (7 julho): a Samsung abana os chips e trava Wall Street
Resposta rápida
A Samsung reportou lucro operacional a multiplicar por 19, mas a ação caiu quase 9% porque o mercado esperava ainda mais. Este desapontamento propagou-se aos chips mundiais, travando Wall Street e bolsas globais.
A Samsung deu hoje uma lição sobre expectativas.
A empresa reportou um lucro operacional a multiplicar por 19 no último trimestre, para 89,4 biliões de wons (cerca de 58,7 mil milhões de dólares), com a receita a mais do que duplicar. Números enormes. E ainda assim a ação caiu quase 9%.
Porquê? Porque o mercado já esperava ainda mais. Quando as expectativas estão nas alturas, "muito bom" pode não chegar. Foi esse desapontamento que puxou os chips para baixo em todo o mundo e travou uma bolsa que vinha de máximos.
Aqui fica o que mexeu nos mercados hoje, por ordem de importância.
1. A Samsung reacende o medo dos chips
O epicentro do dia foi Seul. O Kospi afundou 7,6%, com a Samsung e a rival SK Hynix a caírem perto de 9%. É uma reação dura para quem apresentou resultados recorde.
O ponto que assusta o mercado não é o trimestre passado, é o futuro. Depois de meses a subir a reboque da inteligência artificial, os investidores começam a perguntar se os preços dos chips não terão ido longe de mais, e se todo o dinheiro que está a entrar em chips e centros de dados vai mesmo gerar lucros à altura. Quando essa dúvida aparece, vende-se primeiro e pensa-se depois.
2. Wall Street recua dos máximos
O contágio chegou a Nova Iorque. O Nasdaq abriu a cair 1% e fechou 1,16% abaixo. O S&P 500 perdeu 0,45% e o Dow recuou 0,25%, depois de ter tocado num máximo histórico intradiário e de ontem ter fechado em recorde.
O peso veio dos semicondutores. A Micron caiu 4,7% e nomes como KLA, Marvell, Broadcom e AMD também fecharam no vermelho. O ETF VanEck Semiconductor perdeu mais de 3%. É a tal rotação: o dinheiro sai das ações ligadas à IA e procura outros cantos do mercado.
3. O petróleo dispara mais de 5%
Enquanto a tecnologia caía, a energia disparava. O Brent subiu mais de 5%, para cima dos 76 dólares por barril, e o WTI americano avançou também mais de 5%, acima dos 72 dólares.
O gatilho foi político. Um responsável dos EUA disse à CNBC que o Tesouro vai revogar a licença que permitia a venda de petróleo iraniano. Menos oferta no mercado significa, à partida, preços mais altos. A tensão no Estreito de Ormuz, onde um navio de GNL foi atingido por um projétil, adicionou mais um prémio de risco. Petróleo caro é bom para as petrolíferas, mas é um travão para quem receia inflação outra vez.
4. A Vertex compra a Crinetics por 10 mil milhões
A grande notícia corporativa fora dos chips veio da saúde. A Vertex Pharmaceuticals anunciou a compra da Crinetics Pharmaceuticals num negócio de 10 mil milhões de dólares. A ação da Crinetics disparou cerca de 99%, praticamente a duplicar.
É o padrão habitual das aquisições: quem compra paga um prémio sobre o preço de mercado, e a ação da empresa comprada salta para perto desse valor. Um bom lembrete de que, num dia vermelho para o índice, há sempre histórias individuais a correr ao contrário.
5. A Europa também escorrega dos recordes
Do outro lado do Atlântico, o tom foi o mesmo. O Stoxx 600 caiu 0,3%, para 650,50, depois de ter batido máximos na semana passada. O Euro Stoxx 50 perdeu 0,2% e o FTSE 100 recuou 0,3%.
Os chips voltaram a pesar: a holandesa BE Semiconductor caiu 5,5% com receios de atrasos na adoção de nova tecnologia de fabrico. A exceção foi o DAX alemão, que conseguiu fechar ligeiramente em alta, ajudado por expectativas de resultados mais fortes.
Os fechos de hoje
| Índice | Fecho | Variação |
|---|---|---|
| S&P 500 (EUA) | 7 503,85 | -0,45% |
| Nasdaq Composite (EUA) | 25 818,69 | -1,16% |
| Dow Jones (EUA) | 52 925,15 | -0,25% |
| Stoxx 600 (Europa) | 650,50 | -0,3% |
| Euro Stoxx 50 (Europa) | 6 398 | -0,2% |
| FTSE 100 (Reino Unido) | 10 652 | -0,3% |
| Nikkei 225 (Japão) | 68 493,52 | -1,8% |
| Hang Seng (Hong Kong) | 23 517,70 | -0,4% |
| Shanghai Composite (China) | 3 999,03 | -1,0% |
| Kospi (Coreia do Sul) | 7 444,13 | -7,6% |
O que fica no radar
A palavra do dia é uma só: chips. A pergunta que fica no ar é se este recuo é apenas uma pausa depois de meses de subidas, ou o início de algo maior na história da IA. As próximas apresentações de resultados de grandes tecnológicas vão dar pistas.
Atenção também ao petróleo. Se a oferta iraniana sair mesmo do mercado e a tensão no Estreito de Ormuz continuar, o preço do barril passa a ser tema para as próximas sessões, com efeitos na inflação e, por tabela, nas decisões dos bancos centrais. Na Europa, a época de resultados está agora a arrancar e vai testar se os máximos das últimas semanas tinham base para se aguentar.
📌 Nota: os valores acima são fechos de sessão e podem variar ligeiramente entre fontes. Isto é conteúdo informativo, não é aconselhamento financeiro.
Perguntas frequentes
Porque é que a Samsung caiu 9% se teve lucros recorde?
O mercado esperava resultados ainda mais altos. Quando as expectativas estão elevadas, resultados mesmo muito bons podem decepcionar. Este desapontamento foi o que puxou a ação para baixo.
Como é que a queda da Samsung afetou os mercados?
A Samsung desencadeou uma venda generalizada em chips. O Nasdaq caiu 1,16%, Wall Street recuou e outros fabricantes de semicondutores como Micron, AMD e Broadcom também caíram. O contágio foi global.
O que fez o petróleo subir mais de 5%?
Um responsável dos EUA anunciou que o Tesouro vai revogar a licença para venda de petróleo iraniano, reduzindo a oferta. A tensão no Estreito de Ormuz, onde um navio foi atingido, adicionou mais pressão nos preços.
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