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Fecho de mercado, 14 de julho: IBM cai 25% no pior dia de sempre e a inflação americana arrefece para 3,5%

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Na sessão de 14 de julho de 2026, a IBM caiu 25%, o pior dia da sua história, depois de avisar que as receitas do segundo trimestre ficaram abaixo do esperado. Ainda assim, os índices americanos fecharam em alta: a inflação arrefeceu para 3,5% em junho, bem abaixo dos 3,8% previstos.
A sessão de terça-feira teve de tudo: uma queda histórica numa das empresas mais antigas de Wall Street, um relatório de inflação que apanhou o mercado de surpresa pelo lado bom, e cinco bancos americanos a apresentar números recorde na mesma manhã.
No fim, os índices americanos fecharam em alta. Mas o dia pertenceu à IBM.
1. A IBM perde um quarto do seu valor 📉
A IBM caiu 25%. É o pior dia da história da empresa, pior do que o crash de 19 de outubro de 1987, quando as ações tinham recuado 23,7%.
O que aconteceu: a empresa divulgou resultados preliminares do segundo trimestre abaixo do que os analistas esperavam. Lucro ajustado de 2,93 dólares por ação, contra 3,01 previstos. Receitas de 17,2 mil milhões de dólares, contra 17,86 mil milhões esperados.
Parece pouco. Uma falha de cerca de 660 milhões de dólares nas receitas apagou perto de 65 mil milhões de dólares de valor em bolsa.
O contexto do "porquê" é a parte interessante. O CEO Arvind Krishna explicou que os clientes desviaram o orçamento de software e infraestrutura para comprar hardware… servidores, armazenamento e memória. A ideia era garantir fornecimento antes de subidas de preço, num mercado onde os componentes escasseiam. A IBM não antecipou a dimensão dessa mudança.
E o problema não ficou por ali. Se os clientes estão a cortar em software e consultoria para comprar chips, isso é um sinal para todo o setor 👇
- ServiceNow → cerca de -7%
- Salesforce → cerca de -5%
- Accenture → cerca de -8%
- Cognizant → cerca de -7%
A IBM apresenta os resultados completos a 22 de julho.
2. A inflação americana arrefece mais do que o esperado
O índice de preços no consumidor (CPI) subiu 3,5% em junho face ao ano anterior. Em maio tinha sido 4,2%. Os analistas esperavam 3,8%.
Em termos mensais, os preços caíram 0,4%, a maior descida mensal em mais de seis anos.
A explicação está sobretudo na energia. Durante junho, o petróleo desceu de mais de 90 dólares por barril para cerca de 73 dólares no fim do mês, depois do cessar-fogo temporário entre os EUA e o Irão em meados de junho. Combustíveis mais baratos → inflação mais baixa.
Foi este número que segurou o mercado. As apostas numa subida de juros pela Reserva Federal aliviaram e os índices recuperaram o terreno perdido de manhã.
A ressalva honesta: este é um retrato de junho. As tensões voltaram a agravar-se em julho e a energia já está mais cara outra vez. Vários economistas avisam que o alívio pode ser temporário.
3. A banca americana bate recordes 🏦
JPMorgan, Bank of America, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup apresentaram resultados na mesma manhã. Somados: 49 mil milhões de dólares de lucro no trimestre, mais 39% do que há um ano.
O JPMorgan teve o melhor trimestre de sempre. Lucro líquido de 21,2 mil milhões de dólares, com todas as linhas de negócio a registar receitas recorde. Lucro por ação de 6,14 dólares, contra 5,85 esperados. Receitas de 58,02 mil milhões, contra 50,19 mil milhões previstos.
De onde veio o dinheiro? Da atividade nos mercados. As receitas de ações subiram 86% em termos anuais, para 6 mil milhões de dólares. As comissões de banca de investimento subiram 30%, para 3,3 mil milhões, o valor mais alto desde 2021.
Um nome explica boa parte disto: a estreia em bolsa da SpaceX, uma operação largamente sobresubscrita que gerou comissões pesadas para o Goldman Sachs e o Morgan Stanley.
4. O petróleo e o Estreito de Ormuz 🛢️
Trump anunciou a reposição do bloqueio aos navios iranianos no Estreito de Ormuz e uma taxa de 20% sobre toda a carga que ali passasse. O Brent disparou 3%, para 85 dólares, e chegou a tocar máximos de um mês acima dos 86 dólares.
Ao longo do dia, Trump abandonou a exigência da taxa de 20%. O petróleo aliviou dos máximos da sessão.
Vale a pena reter porquê isto importa tanto: por Ormuz passa uma fatia enorme do petróleo mundial. Qualquer ameaça à passagem mexe com o preço da energia… e o preço da energia mexe com a inflação, que por sua vez mexe com os juros.
5. A Europa recupera de um mau começo
As bolsas europeias abriram em queda. O Stoxx 600 chegou a recuar 0,7% de manhã, com as viagens e lazer a perder 2,6% e as companhias aéreas Air France e Lufthansa a caírem mais de 2% cada, penalizadas pelo petróleo.
Fecharam a subir. O Stoxx 600 ganhou 0,2%, ajudado pelo relatório de inflação americano e pelo recuo de Trump sobre a taxa em Ormuz.
Nos nomes individuais:
- Evotec → -30%, depois de a farmacêutica alemã cortar as previsões para 2026, com parcerias estratégicas adiadas para 2027
- Ericsson → -8%, com vendas trimestrais ligeiramente abaixo do esperado e um aviso sobre a subida do custo dos componentes
- BP → +3%, a beneficiar da subida do petróleo, depois de indicar que os resultados de trading vão ser ligeiramente melhores no trimestre
- Mycronic → +13%, com a fabricante de equipamento eletrónico a rever as previsões anuais em alta pela procura ligada a IA
6. A Ásia fecha em alta
A sessão asiática correu melhor do que se esperava. O Nikkei inverteu perdas e fechou a ganhar. O Shanghai Composite foi o melhor da região, ajudado pelas exportações chinesas ligadas a IA. A energia puxou os índices, com o petróleo em alta.
O Kospi recuperou depois de ter aberto em queda e de ter entrado em terreno de bear market, com uma correção superior a 25% face aos máximos recentes. Ainda assim, mantém-se cerca de 62% acima do início do ano.
Os fechos da sessão 🗓️
| Índice | Fecho | Variação |
|---|---|---|
| S&P 500 (EUA) | 7.543,59 | +0,38% |
| Nasdaq Composite (EUA) | 26.107,01 | +0,90% |
| Dow Jones (EUA) | 52.508,27 | +0,02% |
| Stoxx 600 (Europa) | n.d. | +0,20% |
| FTSE 100 (Reino Unido) | n.d. | +0,30% |
| DAX (Alemanha) | n.d. | +0,10% |
| CAC 40 (França) | n.d. | ~0,00% |
| Nikkei 225 (Japão) | 67.743,50 | +0,70% |
| Hang Seng (Hong Kong) | 24.340,73 | +0,52% |
| Shanghai Composite (China) | 3.967,10 | +1,36% |
| Kospi (Coreia do Sul) | 6.856,83 | +0,70% |
O que fica no radar
A época de resultados está só a começar e os próximos dias são densos.
Na quarta-feira reportam o Morgan Stanley, a BlackRock, a United Airlines e a ASML. A holandesa é o nome a seguir com mais atenção: como fornecedora praticamente exclusiva das máquinas de litografia mais avançadas, os seus números são o melhor termómetro disponível para saber se a procura ligada a IA continua firme ou se está a arrefecer. Isso pesa sobre todo o setor dos semicondutores, que já vinha de uma sessão difícil.
Na quinta-feira é a vez da Netflix, da GE Aerospace e da Alcoa. E a 22 de julho a IBM apresenta os resultados completos do trimestre, com os investidores à espera de perceber se a mudança de orçamento dos clientes é um trimestre mau ou uma tendência.
No macro, a atenção vira-se para a Reserva Federal. Antes do relatório de inflação, os mercados chegaram a atribuir cerca de 50% de probabilidade a uma subida de juros já em julho, depois de comentários mais duros do governador Waller. O CPI de junho aliviou essa pressão, mas o dossiê não está fechado: se a energia voltar a subir por causa de Ormuz, a discussão regressa. Na Europa, os investidores reforçaram as apostas em pelo menos mais uma subida de 25 pontos base pelo BCE, possivelmente já em setembro.
E, por cima de tudo isto, o Irão. Enquanto a situação em Ormuz não estabilizar, o petróleo continua a ser a variável que manda na inflação… e a inflação continua a ser a variável que manda nos juros.
ℹ️ Os valores apresentados são fechos de sessão de 14 de julho de 2026 e podem sofrer revisões. Este artigo é conteúdo informativo e jornalístico sobre o que aconteceu nos mercados. Não é aconselhamento financeiro nem uma recomendação de compra ou venda.
Perguntas frequentes
Porque é que as ações da IBM caíram 25%?
A IBM divulgou resultados preliminares do segundo trimestre abaixo do esperado: lucro ajustado de 2,93 dólares por ação contra 3,01 previstos, e receitas de 17,2 mil milhões contra 17,86 mil milhões. O CEO Arvind Krishna explicou que os clientes desviaram o investimento de software e infraestrutura para compras de hardware, como servidores, armazenamento e memória.
Quanto foi a inflação nos EUA em junho de 2026?
O índice de preços no consumidor subiu 3,5% face ao mesmo mês do ano anterior, abaixo dos 4,2% de maio e dos 3,8% que os analistas esperavam. Em termos mensais, os preços caíram 0,4%, a maior descida em mais de seis anos, sobretudo por causa da queda dos preços da energia e dos combustíveis.
Como fecharam os principais índices a 14 de julho de 2026?
Nos EUA, o S&P 500 subiu 0,38% para 7.543,59 pontos, o Nasdaq Composite ganhou 0,9% para 26.107,01 e o Dow Jones fechou praticamente inalterado em 52.508,27. Na Europa, o Stoxx 600 subiu 0,2%. Na Ásia, o Nikkei ganhou 0,7%, o Hang Seng 0,52% e o Shanghai Composite 1,36%.
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