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Portugal 2, Croácia 1. E na economia, quem ganha?

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Portugal 2, Croácia 1. E na economia, quem ganha?

Foi preciso esperar pelos descontos. Portugal venceu a Croácia por 2 a 1 na madrugada desta sexta-feira, em Toronto, com uma reviravolta selada por Gonçalo Ramos aos 90+4 minutos, depois de Perisic ter adiantado os croatas e de Cristiano Ronaldo ter empatado de penálti. A Seleção segue para os oitavos de final do Mundial 2026, onde defronta a Espanha já na segunda-feira, dia 6, às 20h00 de Lisboa.

Dentro de campo, a conversa ficou arrumada. Mas nós decidimos prolongar o jogo para outro relvado: e se pusermos as duas economias frente a frente? O resultado, garantimos já, é bem mais renhido do que o do BMO Field.

A ficha de jogo

De um lado, Portugal: cerca de 10,4 milhões de habitantes, membro da União Europeia desde 1986 e um dos fundadores do euro. Do outro, a Croácia: perto de 3,9 milhões de habitantes, o país mais recente da UE (aderiu em 2013) e também o penúltimo a entrar no euro, em 2023, no mesmo ano em que entrou em Schengen.

À partida, parece um jogo desequilibrado. O Produto Interno Bruto português ronda os 380 mil milhões de dólares em 2026, segundo o FMI, mais do triplo dos cerca de 117 mil milhões da Croácia. Em dimensão, Portugal ganha sem discussão. Mas os jogos não se decidem no papel.

1.ª parte: riqueza por habitante

É aqui que a partida aquece. No PIB per capita, Portugal continua à frente, com cerca de 35,4 mil dólares por habitante em 2026 contra 30 mil da Croácia, segundo as projeções do FMI. Só que a tendência conta tanto como o resultado: o PIB per capita croata está a crescer perto de 10% ao ano em termos nominais e a economia croata tem crescido, ano após ano, acima da portuguesa. Para 2026, o FMI aponta para uma expansão de 2,6% na Croácia contra 1,9% em Portugal (o Banco de Portugal é mais otimista, com 2,3%).

Desde que entrou na UE em 2013, a Croácia tem sido uma das economias que mais converge com a média europeia, apoiada em fundos comunitários, turismo e na adesão ao euro. Portugal ganha a primeira parte, mas a Croácia marca no fim e encurta a distância. Como no jogo de ontem, só que ao contrário.

2.ª parte: contas públicas

Neste capítulo, a Croácia entra a ganhar. A dívida pública croata ronda os 56% do PIB, confortavelmente abaixo do limite europeu de 60%. A portuguesa, apesar da trajetória de descida assinalável dos últimos anos, ainda deverá ficar perto dos 87,5% do PIB em 2026, segundo o Orçamento do Estado, acima da média da Zona Euro.

Portugal responde com um trunfo que poucos países têm mostrado: excedentes orçamentais, com o saldo positivo a repetir-se nos últimos anos, e uma redução de dívida que já lhe valeu subidas de rating. A Croácia vence este round na fotografia, Portugal ganha pontos no filme.

3.ª parte: preços e salários

Na inflação, vantagem clara para Portugal: cerca de 2,5% prevista para 2026, perto do objetivo do BCE, contra uma inflação croata que em 2025 rondou os 4,4%, das mais altas da Zona Euro. Quem visitou a Croácia depois da adoção do euro conhece bem a queixa local: os preços subiram depressa.

E nos salários? Aqui está talvez o dado mais surpreendente do jogo. Segundo o Eurostat, com valores convertidos para 12 meses, o salário mínimo português vale 1.073 euros em 2026 e o croata 1.050 euros. Praticamente um empate técnico, quando há uma década a diferença era confortável para Portugal. E quando se ajusta ao custo de vida (em paridades de poder de compra), o Eurostat coloca mesmo a Croácia à frente de Portugal na tabela europeia dos salários mínimos.

Prolongamento: as parecenças

O mais curioso deste frente a frente é que os dois países jogam num sistema tático parecido. Ambos são economias de média dimensão da UE, viradas para o mar, com o turismo entre os motores principais, a Croácia é mesmo das economias mais dependentes do turismo em toda a União. Ambos beneficiaram fortemente de fundos europeus. E ambos enfrentam os mesmos adversários de sempre: salários abaixo da média europeia, emigração de jovens qualificados e habitação cada vez mais cara nas grandes cidades e zonas turísticas.

O resultado final

Se fosse mesmo um jogo, diríamos que Portugal vence pela experiência e pela dimensão: economia três vezes maior, rendimento por habitante superior, inflação controlada e contas públicas em excedente. Mas a Croácia é a equipa jovem que sobe no ranking: cresce mais depressa, tem menos dívida e já empata (ou ganha, em poder de compra) no salário mínimo.

A lição para nós é a mesma que serve dentro de campo: as vantagens não se defendem sozinhas. A convergência croata em pouco mais de uma década desde a adesão à UE mostra a velocidade a que a Europa de Leste e dos Balcãs está a apanhar o pelotão. Portugal segue em frente no Mundial. Na economia, o jogo com a Croácia ainda vai a meio.

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⚠️ Este artigo é informativo e reflete dados conhecidos a 3 de julho de 2026, com base em projeções do FMI (World Economic Outlook, abril de 2026), Eurostat, Banco de Portugal e Orçamento do Estado 2026. Projeções económicas estão sujeitas a revisão e não constituem aconselhamento financeiro.

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