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Bull market e bear market: o que são, quanto duram e o que fazer em cada um
Resposta rápida
Bull market é uma subida de 20% ou mais; bear market é uma queda de 20% ou mais. Historicamente, ursos duram em média 289 dias com queda de 35%, touros duram 2,7 anos com ganho de 112%.
Basta abrir qualquer notícia sobre bolsa para tropeçar neles: bull market para cima, bear market para baixo. São dos termos mais usados, e mais mal compreendidos, do mundo dos investimentos. E perceber o que significam (e, sobretudo, o que a história diz sobre eles) muda a forma como reages quando o mercado abana.
Vamos por partes: as definições, os números históricos que quase ninguém conhece, e a lição prática no fim. 👇
As definições, sem rodeios
Bull market (mercado do touro): período prolongado de subida, que oficialmente começa quando um índice sobe 20% ou mais desde o mínimo anterior. Vem acompanhado de otimismo, confiança e apetite por risco. A imagem vem da forma como o touro ataca: de baixo para cima, com os cornos.
Bear market (mercado do urso): o espelho invertido, uma queda de 20% ou mais desde o máximo anterior, medida em preços de fecho. Pessimismo, medo, manchetes negras. O urso ataca de cima para baixo, com as patas.
E há um terceiro termo que evita muita confusão: correção. Uma queda entre 10% e 19,9% é apenas uma correção, ainda não é bear market. As correções são frequentes e fazem parte da vida normal dos mercados; sem esta distinção, cada solavanco parece um apocalipse.
Um detalhe honesto sobre estas etiquetas: são sempre retrospetivas. Só sabes que um bear market começou depois de o mercado já ter caído 20%, e que acabou depois de já ter subido 20%. Servem para descrever o passado, não para prever o futuro, e quem as usa como bola de cristal está a usá-las mal.
Os números que a história conta
Aqui é onde o tema fica realmente interessante. Os dados históricos do S&P 500, compilados pela gestora Hartford Funds desde 1928, desmontam vários medos:
→ Houve 27 bear markets e 28 bull markets desde 1928. Quedas de 20% não são anomalias, são parte estrutural do jogo. Em média, surge um bear market a cada 3,5 anos (e, desde 1945, a cadência abrandou para um a cada 5 anos).
→ Os ursos são violentos mas curtos: um bear market dura, em média, 289 dias, cerca de 9,6 meses, com uma queda média de 35%.
→ Os touros são mais longos e mais fortes: um bull market médio dura 2,7 anos e rende +112%. É esta assimetria (quedas curtas e fundas, subidas longas e compostas) que explica porque é que o mercado acionista sobe no longo prazo apesar de cair com regularidade.
→ Os extremos: o bear mais curto foi o da pandemia, em 2020, 33 sessões de queda superior a 30%, recuperada em quatro meses. Um dos mais longos foi o rebentar da bolha dot-com em 2000: queda de 49% e 31 meses até recuperar o pico. Em média, segundo dados da Yardeni Research, a recuperação total até ao máximo anterior demora cerca de 2,5 anos.
→ E um esclarecimento útil: bear market não é sinónimo de recessão. Às vezes coincidem, outras vezes não. O mercado e a economia dançam músicas parecidas, mas não são o mesmo baile.
A estatística que devia mudar o teu comportamento
De todos os números, guarda este: 42% dos melhores dias do S&P 500 dos últimos 20 anos aconteceram durante bear markets. E outros 36% aconteceram nos dois primeiros meses de um bull market, antes de ser claro que ele tinha começado.
Pensa no que isto significa. Quem vende no meio do medo, para "esperar que acalme", tem quase 80% de probabilidade de falhar os melhores dias do mercado, que se escondem exatamente no meio da tempestade e logo à saída dela. Falhar esses poucos dias destrói uma fatia enorme do retorno de décadas. É o argumento mais forte que existe contra tentar adivinhar o mercado, e a favor de simplesmente continuar cá dentro.
Podes ver este efeito com números reais no nosso simulador do S&P 500: experimenta períodos que incluem 2008 ou 2020 e repara como quem ficou investido atravessou as quedas e apanhou as recuperações.
E agora, em 2026?
Para ancorar isto no presente: o S&P 500 vive um bull market desde o mínimo de 30 de março de 2026, quando a crise no Médio Oriente atirou os mercados ao chão, já subiu bem mais de 20% desde aí. Mas dentro desse touro coletivo há ursos individuais: a Microsoft, por exemplo, acumula uma queda superior a 20% este ano, um bear market só dela, enquanto os fabricantes de chips duplicam. É o lembrete de que estas etiquetas descrevem índices, não cada ação, e de que um mercado em alta pode esconder quedas dolorosas lá dentro (e vice-versa).
O que fazer com tudo isto
A utilidade prática destes conceitos não está em prevê-los, está em atravessá-los bem:
→ Espera por eles. Vais apanhar vários bear markets na tua vida de investidor. Sabê-lo à partida, e saber que duram em média meses e não décadas, tira-lhes metade do poder. → Não tentes cronometrar. Os melhores dias vivem dentro dos piores períodos. Sair e entrar ao sabor do medo é a receita mais fiável para transformar quedas temporárias em perdas permanentes. → Investe com regularidade. Reforços periódicos (o chamado DCA) compram mais barato precisamente quando o urso manda, sem precisares de adivinhar o fundo. Vê o efeito de décadas de reforços no simulador de juros compostos. → Diversifica e dimensiona. Só deve estar em bolsa o dinheiro que aguenta ver -35% no extrato sem te obrigar a vender. O resto pertence ao fundo de emergência e a produtos garantidos.
No fim, touro e urso são só os dois estados naturais do mesmo animal, o mercado. Quem os conhece não lhes foge: prepara-se, atravessa-os e deixa o tempo fazer o resto.
Fontes: Hartford Funds, 10 Things You Should Know About Bear Markets · The Motley Fool, How Long Do Bear Markets Last?
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⚠️ Este artigo é informativo e usa dados históricos do S&P 500, que não garantem resultados futuros. Nada aqui constitui recomendação de investimento nem aconselhamento financeiro personalizado. Investir envolve risco de perda de capital.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura um bear market?
Um bear market dura, em média, 289 dias, aproximadamente 9,6 meses, com uma queda média de 35%. O bear market mais curto foi o de 2020, com 33 sessões de queda superior a 30%, recuperado em quatro meses.
O que devo fazer quando o mercado cai 20%?
Não tentes cronometrar a saída e entrada. Os melhores dias do mercado acontecem dentro dos piores períodos, portanto continuar investido e manter reforços periódicos (DCA) é mais eficaz que tentar prever o fundo.
Qual é a diferença entre bear market e correção?
Uma correção é uma queda entre 10% e 19,9%, enquanto um bear market é uma queda de 20% ou mais. As correções são frequentes e fazem parte da vida normal dos mercados.
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