Finanças Pessoais
67€ por ano: assim deixa de pagar comissões ao banco
Resposta rápida
Podes poupar 67€ a 87€ por ano eliminando comissões de manutenção (domiciliando o ordenado), transferências ao balcão (usando online) e anuidades de cartão (negociando). O limite legal para Serviços Mínimos é 5,37€ anuais em 2026.
Há uma coisa que o teu banco faz todos os meses, em silêncio, e que tu provavelmente nem notas: cobra-te comissões. Não são grandes valores de uma vez — são 5€ aqui, 2,50€ ali, 1,67€ acolá. Mas no final do ano, esses pequenos saques somam-se a 67€, 90€, até 150€, dependendo dos teus hábitos.
Podes não sentir essa saída. Mas consegues certamente sentir o que ela representa: uma semana de compras no supermercado. Talvez dois tanques de gasolina. Um jantar fora com a família.
A boa notícia? A maioria destas comissões pode ser eliminada — ou reduzida drasticamente — sem grandes esforços, sem mudar de banco se não quiseres, e sem seres rico. Só precisas de saber onde olhar e o que perguntar.
Os 3 vilões: as comissões que esvaziam a tua conta
Antes de te dar as soluções, convém perceber de onde vem o dinheiro que estás a perder. Na grande maioria dos casos, são três os culpados principais.
1. Manutenção de conta — o mais invisível de todos
A comissão de manutenção de conta é a mais insidiosa porque não precisas de fazer nada para a pagar — ela sai automaticamente. Em contas correntes normais, pode rondar os 5€/mês, o que dá 60€/ano — e ainda por cima podes pagar imposto de selo em cima.
2. Transferências ao balcão — o hábito caro que não sabes que tens
Cada transferência feita ao balcão — ou seja, com um funcionário do banco à tua frente — pode custar entre 2€ e 3€. Se és do género de ir ao banco fazer duas transferências por mês (pagar uma renda, dividir uma despesa), estás a pagar entre 48€ e 72€ por ano. Por algo que podias fazer de graça no telemóvel.
3. Anuidade dos cartões — o custo do plástico que não usas
Cartões de débito ou crédito com anuidade cobram tipicamente à volta de 20€/ano por cartão. Se tens dois cartões "ativos" e nenhuma isenção negociada, lá vão mais 40€ — mesmo que uses o cartão para pouco mais do que sacar dinheiro.
Soma tudo: 60€ + 12€ + 20€ = 92€/ano, para um perfil conservador. É aqui que os 67€ do título (e às vezes muito mais) desaparecem.
Solução 1 — Conta-ordenado ou Serviços Mínimos: a mudança mais fácil
A forma mais rápida de cortar a comissão de manutenção é domiciliar o ordenado na conta. Domiciliar o ordenado significa simplesmente pedir ao teu empregador que faça o pagamento do salário para aquela conta — é gratuito e leva dez minutos de comunicação por email com o departamento de recursos humanos.
Na maioria dos bancos, isso é suficiente para acederes a condições muito mais favoráveis. Por exemplo, a BBVA Conta Ordenado oferece isenção de comissão de manutenção para quem domicilia ordenado acima de determinado valor, e o Bankinter Conta Mais Ordenado propõe zero comissões de manutenção acrescida de remuneração no saldo — podes consultar os detalhes diretamente em bankinter.pt.
E se não tens ordenado, estás desempregado, ou simplesmente não queres mudar de banco? Existe a conta de Serviços Mínimos Bancários — uma conta regulada, disponível em todos os bancos, com um custo máximo de 5,37€ por ano em 2026 (equivalente a 1% do IAS), conforme podes verificar no Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal. Não é 60€. É 5,37€. Por lei.
Ação para hoje: Abre o app do teu banco ou liga para a linha de apoio e pergunta: "Tenho conta-ordenado? Se não, o que acontece às minhas comissões se domiciliar o salário aqui?"
Solução 2 — Faz transferências online (custam zero)
Este é provavelmente o mais fácil de mudar e o que mais pessoas ignoram.
Transferências feitas via homebanking, MB Way ou Multibanco são, na esmagadora maioria dos bancos, completamente gratuitas. Transferências feitas ao balcão — com funcionário — custam tipicamente entre 2€ e 3€ cada.
Se fazes duas transferências por mês ao balcão, mudares para online poupa-te até 48€ por ano. Com um clique. Hoje.
Não há nenhuma vantagem de segurança em ir ao balcão: uma transferência online feita por ti no homebanking é tão segura quanto qualquer outra. O que muda é apenas o preço — e o teu tempo.
Solução 3 — Negoceie ou troque de banco
Negocia primeiro
Muita gente não sabe que pode simplesmente ligar ao seu banco e pedir isenção. Não é arrogância — é o que o banco espera que faças. A conversa pode ser tão simples como:
"Vi que pago X€ por ano em comissões de manutenção e cartão. Se domiciliar o ordenado aqui, posso ter isenção?"
Na maioria dos casos, a resposta é sim. Os bancos preferem reter clientes a perdê-los para a concorrência. Usa isso a teu favor.
Se o banco não ceder, considera um banco digital
Bancos como o Revolut, o N26 ou o Bankinter têm estruturas de custos muito mais baixas e, consequentemente, comissões de manutenção reduzidas ou zero. Não precisas de abandonar o banco onde tens o crédito habitação ou a poupança — podes, por exemplo, abrir uma conta digital para o dia a dia e manter a conta antiga para outras finalidades.
Podes comparar as comissões de praticamente todos os bancos a operar em Portugal no Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal — é gratuito, está atualizado e permite comparar mais de 90 tipos de comissões diferentes. Usa-o antes de tomares qualquer decisão.
Exemplo real: quanto poupas num ano (sem grande esforço)
Deixa-me pôr números concretos na mesa, para um perfil típico português:
| Comissão | Antes | Depois | Poupança |
|---|---|---|---|
| Manutenção de conta | 60€/ano | 5,37€ (Serviços Mínimos) | ~55€ |
| Transferências (2/mês, ao balcão) | 48–72€/ano | 0€ (online) | ~12€ |
| Anuidade cartão de débito | 20€/ano | 0€ (negociado) | ~20€ |
| Total | ~92€/ano | ~5,37€/ano | ~67–87€/ano |
Sessenta e sete euros por ano que ficam no teu bolso — não porque ficaste rico, mas porque soubeste perguntar e soubeste onde olhar. Se migrares completamente para um banco digital, o valor pode chegar aos 100€ a 150€ por ano.
Erros comuns que te deixam a pagar à toa
"Sempre paguei comissões, é normal." Não é. Existem alternativas legais, reguladas, aprovadas pelo Banco de Portugal. Estás simplesmente a não usá-las.
Nunca ter aberto o preçário do banco. O preçário é um documento obrigatório que todos os bancos têm de disponibilizar — no site, no balcão, no app. Leva cinco minutos a encontrar as comissões que pagas. Se não o encontrares, usa o comparador do Portal do Cliente Bancário.
Achar que mudar de banco é complicado. Não é. Leva tipicamente um dia útil abrir uma conta num banco digital, e o novo banco trata da maior parte da burocracia. O processo é tão simples que, se usas 3 contas bancárias para gerir melhor as tuas despesas, podes adicionar uma nova sem fechar absolutamente nada.
Transferir ao balcão por hábito. O hábito custa 2€ a 3€ por transferência. Uma vez que mudas para online, não voltas atrás.
Faz isto esta semana
Não é preciso fazer tudo de uma vez. Aqui está um plano simples, três dias, resultado garantido:
Dia 1 (hoje, leva 5 minutos): Abre o app ou o site do teu banco e soma o que pagas em manutenção + transferências + cartões. Só este passo já te vai surpreender.
Dia 2: Liga ao teu banco. Pergunta: "Se domiciliar o ordenado, perco a comissão de manutenção e a anuidade do cartão?" Aponta a resposta.
Dia 3: Se a resposta não te satisfizer, entra no Portal do Cliente Bancário e compara duas ou três alternativas. Escolhe uma conta digital, abre-a online, e começa a usá-la para o dia a dia.
Meta da semana: saber exatamente quanto estás a pagar e quanto vais passar a poupar. Meta do mês: a mudança está feita.
Tal como acontece com a poupança e o fundo de emergência, o segredo não está em ganhar mais — está em parar de perder dinheiro em coisas que podes controlar. Sessenta e sete euros por ano não são um prémio de lotaria, mas são teus. E estás a dá-los ao banco sem razão nenhuma.
Este artigo é informação educativa e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Avalia sempre a tua situação concreta antes de tomares qualquer decisão.
Perguntas frequentes
Como é que deixo de pagar comissão de manutenção de conta?
A forma mais fácil é domiciliar o ordenado no banco — a maioria oferece isenção automática. Se não tens ordenado, tens direito legal a uma conta de Serviços Mínimos Bancários com custo máximo de 5,37€ por ano. Podes aceder a esta informação no Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal.
É seguro fazer transferências pelo telemóvel em vez de ir ao balcão?
Sim, transferências online via homebanking ou MB Way são tão seguras quanto as feitas ao balcão. A única diferença é o preço: online são gratuitas, ao balcão custam 2€ a 3€. Não há qualquer vantagem de segurança em ires ao balcão.
Tenho de mudar de banco para poupar nestas comissões?
Não obrigatoriamente. Começa por ligar ao teu banco actual e negocia isenção ao domiciliares ordenado. Se não ceder, considera abrir uma conta digital (Revolut, N26, Bankinter) para o dia a dia — não precisas de fechar a conta antiga, podes manter as duas.
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