Notícias do dia
Bolsa hoje (18 agosto 2026): chips em queda livre, petróleo acima dos 90 dólares e juros em máximos de décadas

Resposta rápida
A 18 de agosto de 2026 as bolsas fecharam em baixa. O S&P 500 caiu 0,7%, o Nasdaq Composite 1,3% e o Dow Jones 0,2%. O motor foi duplo: uma queda forte nos semicondutores, com o índice de referência do setor a perder 5,5%, e juros das obrigações em máximos de décadas, com o Brent acima dos 90 dólares.
Terça-feira pesada nos mercados. Wall Street voltou a fechar em baixa, a Europa acompanhou e a Ásia foi ainda pior. Não foi um único choque. Foram três forças a puxar na mesma direção: uma correção violenta nos semicondutores, juros das obrigações em máximos de várias décadas e o petróleo colado aos 90 dólares.
Aqui fica o resumo do que aconteceu, por ordem de relevância.
As notícias que marcaram o dia
1. Os semicondutores levaram a maior pancada 📉
Foi a história do dia. Um índice de referência do setor dos semicondutores caiu 5,5% numa única sessão. Isto no setor que tinha sido o melhor de Wall Street este ano.
A memória foi o pior sítio para estar. A Micron afundou 7,7%, a Broadcom perdeu 3,5% e a Nvidia recuou 2,3%. Fora dos chips, a Meta caiu 4,2% e a Caterpillar 5,1%.
Porquê? A explicação que circula entre analistas junta três pontos: dúvidas sobre a forma como a infraestrutura de inteligência artificial está a ser financiada (muita dívida nova a ser emitida), o avanço da concorrência chinesa em chips, e valorizações que já vinham esticadas depois de uma subida forte.
2. Os juros das obrigações voltaram a mandar no mercado
Este é o pano de fundo de tudo o resto. A yield das obrigações americanas a 30 anos chegou aos 5,31%, o valor mais alto em 19 anos. A dos 10 anos andou perto dos 4,71%.
E não é só nos EUA. No Reino Unido a taxa a 10 anos esteve em 5,08% e na Alemanha em 3,23%.
Quando as obrigações do Estado pagam mais, as ações ficam relativamente menos atrativas. É aritmética, não é drama. E atinge sobretudo as empresas cuja avaliação depende de lucros lá longe no futuro… ou seja, tecnologia.
3. O petróleo acima dos 90 dólares, com o Irão no centro 🛢️
O Brent negociou perto dos 91 dólares e o WTI acima dos 84. É o nível mais alto em mais de duas semanas.
O gatilho foi geopolítico. Donald Trump afirmou que pretende aumentar a pressão económica sobre o Irão e ameaçou Omã caso este interfira com os planos americanos para o Estreito de Ormuz. A trégua entre os dois países expirou durante a sessão asiática.
Há ainda um detalhe que preocupa o mercado: a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA está no nível mais baixo desde 1982, o que reduz a margem de manobra caso a oferta seja perturbada.
Petróleo caro reacende a discussão sobre inflação. E inflação mais alta significa bancos centrais menos disponíveis para cortar juros.
4. O Japão foi a bolsa mais castigada 🗾
O Nikkei 225 caiu 2,54%, para 67.460,73 pontos. Foi o pior desempenho entre as grandes praças mundiais.
Os nomes ligados a chips e componentes eletrónicos lideraram a queda: Kioxia perdeu 7,6%, a Murata 9,6% e a TDK 3,7%. A Advantest e a Tokyo Electron foram os maiores travões do índice.
Ao mesmo tempo, a yield da dívida japonesa a 10 anos tocou perto dos 2,97% em sessão, máximo de três décadas. Contas públicas e expectativas de uma subida de juros pelo Banco do Japão explicam boa parte do movimento.
Na restante Ásia, o Kospi sul-coreano caiu 1,55% para 6.869,83 pontos (com a Samsung Electronics a perder 1,4%), o Hang Seng recuou 0,73% e o Shanghai Composite foi a exceção, com uma subida marginal de cerca de 0,2%.
5. A Europa fechou no vermelho, com o gás a complicar
O STOXX Europe 600 perdeu 0,69%, para 651,90 pontos. Foi o pior dia em quase um mês e o índice caiu para mínimos de mais de duas semanas.
O DAX alemão desceu 0,6%, o CAC 40 francês 0,7% (sexta sessão consecutiva em queda) e o FTSE MIB italiano 0,8%. O FTSE 100 britânico foi a exceção, com uma subida ligeira de 0,1%, ajudado pelo peso das petrolíferas.
Há um problema específico do continente: os preços do gás natural europeu voltaram a subir, quase 4% na sessão, para perto de máximos de vários anos. O bloqueio prolongado de navios de GNL vindos do Médio Oriente agravou a escassez, numa altura em que a produção nuclear em vários países foi reduzida por causa dos caudais baixos dos rios.
6. Home Depot bateu as estimativas e escapou ao vermelho 🏠
Boa notícia num dia mau. A Home Depot apresentou resultados acima das estimativas e subiu cerca de 1%, apesar do contexto de custos de crédito e de habitação elevados nos EUA. A Toll Brothers e a Klarna também reportaram.
É um sinal útil: a época de resultados tem sustentado as ações mesmo quando o cenário macro pesa. Não é o mesmo que dizer que está tudo bem, mas mostra que a queda de hoje foi mais sobre juros e petróleo do que sobre lucros das empresas.
7. Ouro e volatilidade
O ouro corrigiu 1,3%, para cerca de 4.357 dólares por onça, depois da subida da véspera. O índice VIX, que mede a volatilidade esperada do S&P 500, fechou em 15,66. Ou seja, houve queda, mas não houve pânico.
Como fecharam os principais índices
| Índice | Fecho | Variação |
|---|---|---|
| S&P 500 (EUA) | 7.691,76 | -0,7% |
| Dow Jones (EUA) | 53.375 | -0,2% |
| Nasdaq-100 (EUA) | 29.403 | -2,0% |
| STOXX Europe 600 | 651,90 | -0,7% |
| DAX (Alemanha) | 26.183 | -0,6% |
| CAC 40 (França) | 8.521 | -0,7% |
| FTSE 100 (Reino Unido) | 10.728 | +0,1% |
| Nikkei 225 (Japão) | 67.460,73 | -2,5% |
| Kospi (Coreia do Sul) | 6.869,83 | -1,6% |
| Hang Seng (Hong Kong) | ≈25.250 | -0,7% |
O Nasdaq Composite, que agrega um universo mais largo de empresas do que o Nasdaq-100, fechou a cair 1,3%.
O que fica no radar 🗓️
Os próximos dias trazem três frentes a acompanhar.
Bancos centrais. O BCE publica esta semana as atas da última reunião de política monetária, depois de ter mantido a taxa de referência nos 2,40% em julho. Do outro lado do Atlântico, a taxa dos fundos federais está nos 3,75% e o mercado discute o que a Fed fará em setembro, num contexto em que a inflação americana estava em 3,4% em julho e a da Zona Euro em 2,9%.
Indicadores. Na Europa, saem os índices ZEW de sentimento económico da Zona Euro e da Alemanha, e os PMIs de agosto para vários países. Nos EUA continua a chegar informação sobre habitação e atividade industrial, depois de os dados desta semana terem mostrado arranques de construção abaixo do esperado.
Geopolítica e energia. O Estreito de Ormuz é o ponto crítico. Qualquer notícia sobre o fluxo de petróleo iraniano ou sobre uma escalada militar mexe com o Brent, e o Brent tem estado a mexer com as bolsas e com as taxas de juro. É a corrente que liga tudo o que aconteceu hoje.
Do lado das empresas, a época de resultados do segundo trimestre está a abrandar, mas ainda faltam nomes do retalho e do consumo americano.
ℹ️ Os valores apresentados são fechos de sessão de 18 de agosto de 2026 e podem sofrer pequenos ajustes nas fontes oficiais. Este artigo é conteúdo informativo sobre o que aconteceu nos mercados. Não é aconselhamento financeiro nem uma recomendação de compra ou venda.
Perguntas frequentes
Porque é que as bolsas caíram a 18 de agosto de 2026?
Por três motivos combinados. Um índice de referência dos semicondutores caiu 5,5%, as yields das obrigações subiram para máximos de décadas (5,31% nos 30 anos americanos) e o petróleo Brent manteve-se acima dos 90 dólares por causa da tensão entre os EUA e o Irão.
Quanto caiu o S&P 500 hoje?
O S&P 500 fechou nos 7.691,76 pontos, uma queda de cerca de 0,7% face à sessão anterior. O Nasdaq Composite perdeu 1,3% e o Dow Jones 0,2%.
Porque é que as subidas dos juros das obrigações fazem as ações cair?
Quando as obrigações do Estado pagam mais, oferecem um retorno concorrente às ações com menos risco. Além disso, taxas mais altas reduzem o valor atual dos lucros futuros, o que penaliza sobretudo empresas de crescimento como as tecnológicas.
Recebe os melhores artigos sobre dinheiro.
Sem spam. Só conteúdo útil, no contexto português. Cancelas quando quiseres.
Não percas o próximo artigo
Ativa as notificações e avisamos-te assim que publicarmos algo novo. Sem email, sem spam.
Mais sobre Notícias do dia
Notícias do dia
Equinor compra participação de 940 milhões de dólares em central a gás na Pensilvânia
A Equinor vai pagar 940 milhões de dólares à Global Infrastructure Partners por 87,71% das ações de classe A da central a gás Lackawanna, na Pensilvânia.
Notícias do dia
Juros das obrigações do Tesouro americano a 30 anos atingem máximo desde 2007
A taxa das obrigações do Tesouro dos EUA a 30 anos subiu para cerca de 5,31%, máximo desde julho de 2007, num movimento que também atingiu o Canadá e a Europa.
Notícias do dia
Klarna supera estimativas no segundo trimestre mas corta previsões e ações caem cerca de 19%
A Klarna bateu as estimativas de receita e lucro no segundo trimestre, mas cortou as previsões anuais de GMV e receita, levando as ações a caírem cerca de 19%.