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Mercados a 21 de agosto de 2026: Moderna abana a saúde, Wall Street recupera e as obrigações mandam na semana

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Mercados a 21 de agosto de 2026: Moderna abana a saúde, Wall Street recupera e as obrigações mandam na semana
Foto de Foto: Fletcher / Wikimedia Commons, licença CC BY 4.0 no Unsplash

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A 21 de agosto de 2026, Wall Street fechou em alta (S&P 500 +0,43%, Dow +0,98%), mas os três grandes índices registaram perdas semanais. Na Europa, o STOXX 600 caiu pela sétima sessão seguida. Moderna e Merck, o petróleo acima dos 93 dólares e as taxas das obrigações americanas dominaram a semana.

Sexta-feira de recuperação em Wall Street, mas sem apagar uma semana difícil. Os três grandes índices americanos subiram na sessão e mesmo assim fecharam a semana em queda. Na Europa, o dia foi de novo negativo. Na Ásia, a inflação japonesa voltou a ser o tema.

Este é o resumo das notícias que marcaram a sessão de 21 de agosto de 2026, por ordem de relevância.

1. Moderna e Merck: a primeira vacina de mRNA contra o cancro a passar a fase 3 💉

Foi a maior notícia corporativa da semana e continuou a mexer com o mercado até sexta-feira.

A 19 de agosto, a Moderna e a Merck anunciaram que o ensaio de fase 3 INTerpath-001 atingiu o objetivo principal. Falamos da intismeran autogene (também conhecida por mRNA-4157 ou V940), uma vacina personalizada de mRNA usada em conjunto com o Keytruda, o imunoterápico da Merck. O ensaio incluiu 1.137 doentes com melanoma removido cirurgicamente e mostrou melhoria na sobrevivência livre de recidiva.

Porque é que isto importa: é a primeira vez que uma vacina de mRNA contra o cancro tem sucesso num ensaio de fase 3. A tecnologia parte do tumor do próprio doente para treinar o sistema imunitário contra as mutações específicas daquele cancro.

A reação em bolsa foi violenta nos dois sentidos. Na quarta-feira, a Moderna fechou a subir cerca de 177%, o maior ganho diário da história da empresa. Na quinta-feira, caiu com fortes tomadas de mais-valias. Na sexta-feira, voltou a subir. A Merck, muito maior e menos dependente deste ativo, teve na quarta-feira a melhor sessão desde março de 2009.

Nota de contexto: os dados detalhados só serão apresentados numa conferência médica e o caminho até uma aprovação regulatória ainda é longo.

2. O mercado de obrigações continuou a mandar 📉

A verdadeira história da semana não esteve nas ações, esteve nas taxas.

A taxa das obrigações do Tesouro americano a 30 anos chegou a tocar 5,34%, um máximo de 19 anos. A taxa a 10 anos subiu até 4,75%, o valor mais alto em cerca de 20 meses. Na sexta-feira aliviaram um pouco, com a 10 anos perto de 4,7% e a 30 anos perto de 5,25%.

O motivo é uma mistura de receio de inflação com preocupação orçamental. O défice americano em julho foi o mais alto para um mês desde março de 2021. O Tesouro respondeu com o anúncio de que vai pelo menos duplicar as recompras de dívida de longo prazo, para 4 mil milhões de dólares por trimestre.

Quando as taxas de longo prazo sobem, as ações mais caras (sobretudo tecnologia) tendem a sofrer. Foi exatamente isso que se viu durante a semana.

3. Wall Street fecha em alta, mas perde na semana 🇺🇸

Na sexta-feira, o S&P 500 subiu 0,43% para 7.674,37 pontos. O Nasdaq Composite subiu igualmente 0,43%, para 26.180,45. O Dow Jones foi o mais forte, com um ganho de 517,80 pontos (+0,98%), para 53.277,01.

Apesar disso, os três índices fecharam a semana no vermelho. Para o S&P 500 e para o Nasdaq foi a primeira semana negativa desde o final de julho.

4. Petróleo acima dos 93 dólares com o impasse no Estreito de Ormuz 🛢️

O Brent negociou acima dos 93 dólares por barril na sexta-feira e caminhou para a segunda semana consecutiva de subida, com um ganho semanal superior a 5%.

A razão é geopolítica. O conflito entre os Estados Unidos e o Irão continua sem resolução e o Estreito de Ormuz mantém-se no centro da disputa. Washington prepara novas sanções para isolar a economia iraniana, com detalhes esperados para segunda-feira.

Petróleo caro alimenta inflação. Inflação alimenta taxas de juro mais altas. É esta a corrente que ligou o petróleo às obrigações durante toda a semana.

5. Walmart: bateu estimativas e caiu 9% 🛒

Na quinta-feira, a Walmart apresentou resultados acima do esperado e reviu em alta as previsões para o ano. A ação caiu cerca de 9%, a pior reação a resultados dos últimos dez trimestres, com uma perda de capitalização na ordem dos 83 mil milhões de dólares.

O que correu mal: as vendas comparáveis nos EUA cresceram 2,6%, abaixo dos cerca de 3,5% que os analistas esperavam. Numa ação que negoceia com um múltiplo exigente, isso chegou.

É um bom lembrete de que "bater estimativas" e "subir em bolsa" não são a mesma coisa. O que conta é o que já estava no preço.

6. Bitcoin dispara e arrasta as cotadas de cripto ₿

O bitcoin teve a melhor semana desde março de 2024, com uma subida próxima de 22%, chegando à zona dos 77 mil dólares.

Contribuíram o anúncio das recompras do Tesouro americano, o alívio nas taxas de longo prazo e o apoio político à aprovação do CLARITY Act, legislação que clarificaria a regulação de criptoativos nos EUA.

O efeito passou para a bolsa: na sexta-feira, a Robinhood subiu cerca de 11% e a Coinbase cerca de 8,5%.

7. Europa: sétima sessão consecutiva de perdas 🇪🇺

O STOXX Europe 600 fechou a recuar 0,12%, nos 650,35 pontos. É a sétima sessão seguida em queda, a série negativa mais longa desde setembro de 2023. O Euro STOXX 50 desceu cerca de 0,2%, para perto dos 6.432 pontos.

O setor do luxo esteve entre os mais pressionados. As vendas a retalho na China em julho ficaram abaixo do esperado e a China é o maior consumidor mundial de bens de luxo.

8. Ásia: inflação no Japão em máximos de seis meses 🇯🇵

O índice de preços no consumidor subjacente do Japão acelerou para 1,8% em julho, o valor mais alto em seis meses. O mercado passou a atribuir uma probabilidade próxima de 80% a uma subida de juros do Banco do Japão já em setembro.

O Nikkei 225 fechou a cair cerca de 0,3%, nos 66.016 pontos, e acumulou uma queda semanal na ordem dos 4,4%, das piores da região.

Hong Kong foi a exceção. O Hang Seng subiu 1,21% na sessão e ganhou cerca de 3% na semana, quebrando duas semanas seguidas de perdas.

Fechos dos principais índices

Índice Fecho Variação no dia
S&P 500 7.674,37 +0,43%
Nasdaq Composite 26.180,45 +0,43%
Dow Jones 53.277,01 +0,98%
STOXX Europe 600 650,35 -0,12%
Euro STOXX 50 ~6.432 -0,2%
Nikkei 225 66.016 -0,3%
Hang Seng 26.009,46 +1,21%
Shanghai Composite 3.905,20 +0,04%
Kospi 6.912,95 +0,88%

O que fica no radar 🗓️

A próxima semana tem três temas em cima da mesa.

O primeiro é Jackson Hole. O simpósio anual dos bancos centrais chega num momento em que o mercado tenta perceber se a Reserva Federal vai manter ou endurecer o discurso perante a inflação e as taxas de longo prazo em máximos plurianuais.

O segundo é o Irão. Os detalhes das novas sanções americanas são esperados na segunda-feira e vão ditar boa parte do comportamento do petróleo. Qualquer sinal sobre o Estreito de Ormuz mexe diretamente com o Brent e, por arrasto, com as expectativas de inflação.

O terceiro é a dívida americana. As recompras alargadas do Tesouro arrancam a 9 de setembro e o mercado vai testar se são suficientes para estabilizar a ponta longa da curva.

No calendário corporativo, a Marvell apresenta resultados a 27 de agosto. No campo macro, seguem-se os dados de inflação PCE nos EUA e a reunião do Banco do Japão em setembro, agora com uma subida de juros no horizonte.

Todos os valores indicados são fechos de sessão de 21 de agosto de 2026 e podem sofrer revisões. Este artigo tem fins exclusivamente informativos e não constitui aconselhamento financeiro.

Perguntas frequentes

Como fecharam os mercados a 21 de agosto de 2026?

Nos EUA, o S&P 500 subiu 0,43% para 7.674,37 pontos, o Nasdaq Composite subiu 0,43% para 26.180,45 e o Dow Jones ganhou 0,98% para 53.277,01. Na Europa, o STOXX 600 recuou 0,12% para 650,35. Na Ásia, o Nikkei caiu cerca de 0,3% e o Hang Seng subiu 1,21%.

Porque é que as ações da Moderna dispararam esta semana?

A Moderna e a Merck anunciaram a 19 de agosto que o ensaio de fase 3 INTerpath-001 da vacina personalizada de mRNA intismeran autogene, combinada com o Keytruda, atingiu o objetivo principal em melanoma. É o primeiro ensaio de fase 3 bem-sucedido de uma vacina de mRNA contra o cancro.

Porque é que a Walmart caiu se bateu as estimativas?

A Walmart superou receitas e lucros e reviu em alta as previsões anuais, mas as vendas comparáveis nos EUA cresceram 2,6%, abaixo dos cerca de 3,5% esperados. Com uma avaliação exigente, o mercado castigou a ação em cerca de 9% na sessão de quinta-feira.

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