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Trump exige corte de juros à Fed e ameaça suspender comércio com países com excedente face aos EUA
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Donald Trump exigiu à Fed um corte de juros após a criação de 162 mil empregos em agosto e ameaçou suspender o comércio com países com excedente face aos EUA. Os mercados, porém, reforçaram apostas numa subida de taxas, e o presidente da Fed, Kevin Warsh, sinalizou em Jackson Hole abertura a aumentos se a inflação persistir.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu esta sexta-feira, 4 de setembro, que a Reserva Federal baixe as taxas de juro e ameaçou interromper o comércio com todos os países com os quais os EUA registam défice comercial caso o banco central não o faça. A mensagem foi publicada na rede Truth Social pouco depois da divulgação do relatório de emprego de agosto, segundo a CNBC e a CNN.
Na publicação, Trump escreveu que um país forte significa uma taxa de juro mais baixa e dirigiu-se diretamente ao conselho da Fed e ao seu presidente, Kevin Warsh, apelando a que sejam "patriotas". O presidente afirmou que a decisão do Supremo Tribunal sobre tarifas reconhece ao chefe de Estado o direito de suspender trocas comerciais, e defendeu que essa via é "melhor do que tarifas".
A reação surge após dados que mostraram a criação de 162 mil empregos em agosto, quase o triplo dos 55 mil esperados pelos economistas, com a taxa de desemprego estável em 4,1%. Os mercados interpretaram o relatório em sentido oposto ao pretendido por Trump: um mercado de trabalho mais robusto reduz a probabilidade de cortes de juros e reforça o cenário de uma eventual subida. Segundo a 24/7 Wall St., o juro das Treasuries a 10 anos aproximou-se de 4,8%, perto do topo do intervalo do último ano, e o dólar valorizou-se após a divulgação dos dados.
O timing da mensagem é relevante porque Kevin Warsh, nomeado por Trump para suceder a Jerome Powell, afirmou no simpósio de Jackson Hole, a 28 de agosto, que a Fed tem "trabalho a fazer" caso a inflação se mantenha acima do objetivo, declarações lidas pelo mercado como abertura a subidas de juros. Na quinta-feira, o governador Christopher Waller tinha indicado preferir manter as taxas inalteradas na reunião de setembro, salvo surpresas nos dados de inflação, o que levou a probabilidade de uma subida implícita nos mercados para cerca de 50%, de acordo com a TheStreet.
A referência ao Supremo Tribunal também é contestada. Segundo a 24/7 Wall St., o tribunal decidiu que a lei IEEPA não autoriza o presidente a impor tarifas, por se tratar de um poder tributário reservado ao Congresso, e não se pronunciou sobre o alcance de outros mecanismos legais.
Segundo a CNBC, a Fed reúne-se no final de setembro. Antes disso, serão conhecidos os índices de preços no consumidor (CPI) e no produtor (PPI) de agosto, que economistas apontam como determinantes para a decisão entre manter ou subir os juros.
Perguntas frequentes
O que disse Trump à Fed?
Numa publicação na Truth Social, exigiu uma descida das taxas de juro e ameaçou suspender o comércio com países com os quais os EUA têm défice comercial caso a Fed não o faça.
Como reagiram os mercados ao relatório de emprego?
Os juros das Treasuries a 10 anos aproximaram-se de 4,8% e o dólar valorizou-se, refletindo menor probabilidade de cortes e maior probabilidade de uma subida de taxas.
Quando é a próxima reunião da Fed?
No final de setembro. Antes disso serão divulgados o CPI e o PPI de agosto, considerados decisivos para a decisão.
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