Poupança
Aforro vs Tesouro: qual rende mais em 2026?
Resposta rápida
Os Certificados de Aforro oferecem taxa variável de 2,474% com capitalização trimestral e isenção de IRS. Os Certificados do Tesouro têm taxa fixa de média 2,71% bruta ao ano por 10 anos. A escolha depende de quereres flexibilidade (Aforro) ou previsibilidade (Tesouro).
Há dois produtos de poupança que o Estado português oferece directamente aos cidadãos e que, neste momento, batem a grande maioria das contas de poupança do mercado: os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro. Garantidos pela República, sem risco de crédito bancário, e com taxas acima do que a maioria dos bancos paga. E ainda assim, muita gente não sabe bem qual escolher — ou sequer em que diferem.
Vou explicar os dois com honestidade, com os números actuais e sem enganações.
Porque falo destes dois e não de outros
Quando o objectivo é estacionar poupanças de médio ou longo prazo em segurança total, estas são as duas referências em Portugal. Ambos têm a garantia do Estado (capital 100% protegido), ambos oferecem taxas superiores às contas-poupança tradicionais, e ambos são acessíveis a qualquer pessoa com o NIF e acesso ao AforroNet.
A grande diferença está na estrutura: um tem taxa variável, o outro tem taxa fixa. Isso muda tudo dependendo do teu perfil e do que esperas do mercado de taxas nos próximos anos.
Certificados de Aforro: o produto que sobe e desce com a Euribor
Os Certificados de Aforro (Série F) têm uma taxa base indexada à Euribor a 3 meses — a taxa à qual os bancos europeus se emprestam dinheiro entre si. A fórmula é simples: calcula-se a média da Euribor dos últimos dias de cada mês, arredonda-se e aplica-se no mês seguinte, com um tecto legal de 2,5%.
Em agosto de 2026, a taxa base ficou fixada em 2,474%, segundo o IGCP — quase no máximo permitido por lei. Porquê? Porque a Euribor a 3 meses está, a 29 de agosto de 2026, nos 2,524%, o valor mais elevado em quase dois anos, o que significa que os Certificados de Aforro vão atingir o tecto de 2,5% em setembro.
Mas há mais:
- Prémio de permanência: quanto mais tempo ficares, mais ganhas. O prémio começa em 0,25 pontos percentuais no 2.º ano e chega a 1,75 pontos nos últimos dois anos da maturidade de 15 anos.
- Capitalização trimestral: os juros entram no capital a cada trimestre — estás a ganhar juros sobre juros, o que acelera o crescimento do dinheiro ao longo do tempo.
- Isenção de IRS: os juros são capitalizados já líquidos. Não há retenção na fonte a descontar.
- Liquidez desde o 1.º trimestre: podes resgatar a partir do primeiro vencimento de juros com o capital integralmente garantido.
- Limite de 250 mil euros por titular (em vigor desde 1 de julho de 2026).
Em resumo: é um produto flexível, com rendimento actual elevado, mas que acompanha o mercado — para cima e para baixo.
Certificados do Tesouro Série 5: taxa fixa por 10 anos
Os Certificados do Tesouro Série 5 são um produto novo — as subscrições abriram a 6 de julho de 2026. A diferença fundamental é que a taxa fica fixada no momento em que subscreveres e não muda nos 10 anos seguintes, independentemente do que aconteça à Euribor ou ao BCE.
As taxas brutas anuais para quem subscrever agora, aprovadas por Resolução do Conselho de Ministros a 3 de julho de 2026, são:
- Ano 1: 2,35%
- Anos 2–3: 2,45%
- Anos 4–5: 2,65%
- Anos 6–7: 2,75%
- Anos 8–9: 2,85%
- Ano 10: 3,35%
Isto dá uma média de 2,71% bruta anual — ou 1,8% de rendibilidade média anualizada a 10 anos, depois de IRS.
Outras características importantes:
- Juros creditados anualmente em conta (não há capitalização — os juros não se reinvestem automaticamente).
- Sujeitos a IRS com retenção na fonte no momento do pagamento.
- Resgate antecipado possível após o primeiro ano completo.
- Sem limite máximo de subscrição; mínimo de 1.000 euros.
A previsibilidade é total — sabes exactamente o que vais receber em cada ano durante uma década.
Comparação lado a lado
| Certificados de Aforro (Série F) | Certificados do Tesouro (Série 5) | |
|---|---|---|
| Taxa | Variável (Euribor 3M) — 2,474% em ago. 2026 | Fixa desde subscrição — média 2,71% bruta |
| Capitalização | Trimestral (juros sobre juros) | Anual, creditado em conta (sem capitalização) |
| IRS | Isento (juros já líquidos) | Retenção na fonte anual |
| Maturidade | Até 15 anos | Até 10 anos |
| Resgate antecipado | A partir do 1.º trimestre | Após 1 ano completo |
| Limite | Máx. 250 mil euros/titular | Mín. 1.000 euros (sem máximo) |
| Prémio de permanência | Sim (0,25% a 1,75%) | Não |
Para que objectivo cada um faz sentido
Escolhe os Certificados de Aforro se…
- Acreditas que as taxas vão manter-se elevadas (ou subir mais além do tecto). Lucras directamente com isso.
- Queres flexibilidade de resgate. Precisas de acesso ao dinheiro em menos de um ano? O Aforro permite resgatar a partir do 1.º trimestre; o Tesouro obriga-te a esperar um ano inteiro.
- Tens capital maior. A capitalização trimestral e a isenção de IRS fazem uma diferença crescente para montantes mais elevados.
Escolhe os Certificados do Tesouro Série 5 se…
- Queres saber exactamente quanto ganhas até 2036. Paz de espírito total, sem surpresas.
- Temes que as taxas caiam nos próximos anos. Com taxa fixa, uma descida da Euribor não te afecta.
- O horizonte é mesmo de 10 anos e não vais precisar do dinheiro antes.
- Preferes receber os juros anualmente em conta em vez de os ver capitalizados.
Nenhum dos dois faz sentido se…
- O teu objectivo é de curto prazo (menos de 6–12 meses) — nesse caso, um depósito a prazo ou conta de poupança é mais adequado (sem penalizações de resgate antecipado). Podes ver como comparar estas opções no guia sobre Certificados de Aforro vs Depósitos a Prazo.
- Queres superar a inflação consistentemente com rendimento real elevado — ambos ficam aquém em períodos de inflação alta. Para isso, há outras ferramentas como ETFs (que explico no guia de ETFs para iniciantes), embora com risco de capital.
O que está a acontecer em agosto de 2026
O mercado está a confirmar o interesse dos portugueses nestes produtos. Em julho de 2026, os Certificados de Aforro captaram cerca de 768 milhões de euros líquidos — o valor mais elevado em mais de três anos — e o stock total chegou aos 44 mil milhões de euros.
O que isto significa na prática: a Euribor está em alta, o que empurra o Aforro para o tecto legal. Em setembro de 2026, a taxa base deverá chegar aos 2,5%. Mas este ciclo de subidas está a esgotar-se — não há espaço para subir mais além do tecto.
Os Certificados do Tesouro Série 5 são um produto recente, com menos procura inicial, mas crescente — sobretudo entre quem quer blindar a taxa actual por uma década.
Próximo passo: quanto e onde colocar
Não tens de escolher um e abandonar o outro. Aqui está um ponto de partida prático:
- Tens menos de 10 mil euros? Começa por construir um fundo de emergência numa conta de poupança acessível. Só depois que tiveres essa base sólida — como detalho no guia de poupança e fundo de emergência — faz sentido travar o dinheiro em certificados.
- Tens 10 a 50 mil euros e horizonte de 3–5 anos? Os Certificados de Aforro fazem sentido agora, com a Euribor ainda elevada e a flexibilidade de resgate a partir do 1.º trimestre.
- Tens mais de 50 mil euros e não vais precisar do dinheiro em 10 anos? Os Certificados do Tesouro oferecem previsibilidade absoluta — sabes exactamente o que recebes, ano a ano, até 2036.
- Queres o melhor dos dois mundos? Divide a poupança: uma parte em Aforro (para flexibilidade e taxa actual), outra em Tesouro (para certeza de longo prazo). Não é tudo-ou-nada.
O mais importante é não deixar o dinheiro parado numa conta à ordem a render 0%. Qualquer um destes dois produtos é, hoje, uma opção muito melhor para poupanças que não precisas nos próximos meses.
Este artigo tem fins educativos e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Cada situação é diferente — analisa a tua antes de tomar qualquer decisão.
Perguntas frequentes
Posso resgatar um Certificado de Aforro antes do prazo?
Sim. Os Certificados de Aforro permitem resgate a partir do primeiro vencimento de juros (trimestral), com capital 100% garantido. Já os Certificados do Tesouro só permitem resgate antecipado após 1 ano completo.
Qual é a diferença de rendimento entre os dois em 2026?
Atualmente, o Aforro está nos 2,474% com capitalização trimestral e sem IRS. O Tesouro oferece média de 2,71% bruta mas com retenção de IRS. Depois de imposto, o Aforro fica mais vantajoso para valores mais altos devido à capitalização.
Há limite de quanto posso investir em cada um?
Os Certificados de Aforro têm limite máximo de 250 mil euros por titular desde julho de 2026. Os Certificados do Tesouro não têm limite máximo, apenas mínimo de 1.000 euros.
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