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Moderna dispara e o Tesouro dos EUA acalma os juros: o resumo dos mercados de 19 de agosto de 2026

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Moderna dispara e o Tesouro dos EUA acalma os juros: o resumo dos mercados de 19 de agosto de 2026
Foto de Sede da Moderna em Cambridge, Massachusetts. Foto: Fletcher / Wikimedia Commons, CC BY 4.0 no Unsplash

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A 19 de agosto de 2026, Wall Street travou três sessões de quedas. O S&P 500 subiu cerca de 0,3%, o Dow Jones e o Nasdaq cerca de 0,2%, depois de o Tesouro americano duplicar as recompras de dívida e fazer recuar os juros longos. A Moderna disparou mais de 140% com resultados positivos da vacina contra o melanoma.

Wall Street travou uma série de três sessões negativas. E a ajuda não veio de resultados de empresas nem de dados de inflação. Veio do Tesouro americano.

Ao mesmo tempo, uma única empresa de biotecnologia dominou o dia inteiro. E a Ásia teve uma das piores manhãs do ano.

Aqui fica o que aconteceu, por ordem de relevância 👇

1. Moderna dispara com a primeira vacina personalizada contra o cancro a passar a fase 3 💊

A Moderna anunciou que a sua vacina personalizada de mRNA, desenvolvida com a Merck, atingiu os objetivos num ensaio de fase 3 em doentes com melanoma. É o primeiro resultado positivo de fase 3 alguma vez registado para uma terapia de mRNA individualizada contra o cancro.

O tratamento, chamado intismeran, foi testado em combinação com o Keytruda da Merck. Nos resultados intercalares cumpriu o objetivo principal, reduzir a recorrência do cancro, e também o secundário, evitar que este se espalhe para outras partes do corpo. O ensaio continua a decorrer.

A reação em bolsa foi brutal. As ações chegaram a subir cerca de 160% durante a sessão e negociavam mais de 140% acima na reta final do dia. Foi o melhor dia de sempre da Moderna em bolsa, com cerca de 30 mil milhões de dólares somados ao valor de mercado.

Porque é que isto importa: a Moderna estava a ser tratada pelo mercado como uma história de covid a desaparecer. Este resultado abre-lhe uma segunda vida em oncologia, um mercado muito maior. Em julho, analistas do Barclays estimavam que a terapia pudesse gerar cerca de 3 mil milhões de dólares de receita só em melanoma até 2035.

O efeito espalhou-se pelo setor. A Merck subiu cerca de 11%. A BioNTech, que segue uma abordagem semelhante, valorizou perto de 19%. Os ETF de biotecnologia XBI e IBB subiram mais de 4%.

Do outro lado da mesa, quem estava a apostar na queda da Moderna levou um golpe. As perdas potenciais dos vendedores a descoberto rondaram os 5 mil milhões de dólares só neste dia.

2. O Tesouro dos EUA duplica as recompras de dívida e trava os juros 📉

Esta foi a notícia que mexeu com o mercado todo.

O Tesouro americano anunciou que vai pelo menos duplicar o tamanho máximo das suas operações de recompra de dívida, de 2 para 4 mil milhões de dólares. O alvo são os prazos de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos, precisamente a zona da curva onde os compradores tinham desaparecido desde o final de junho.

O efeito foi imediato. O juro das obrigações a 30 anos recuou 9 pontos base para 5,195%, depois de na véspera ter tocado acima de 5,33%, o valor mais alto desde junho de 2007. O juro a 10 anos caiu mais de 5 pontos base, para 4,653%.

Quando os juros de longo prazo sobem, o custo do dinheiro sobe para todos e as ações ficam relativamente menos atrativas. Foi isso que tinha pressionado as bolsas nos três dias anteriores. Ao anunciar que vai comprar mais dívida própria, o Tesouro está a criar procura adicional nessa parte do mercado e a aliviar essa pressão.

3. Atas da Fed: a porta para subidas de juros não está fechada 🏦

Ao início da tarde saíram as atas da reunião da Reserva Federal de 28 e 29 de julho.

O tom foi mais duro do que o mercado esperava. Vários responsáveis admitiram que os juros podem ter de subir em breve se a inflação não der sinais claros de arrefecimento.

É um contraste curioso com o dia. O Tesouro estava a agir para baixar os juros longos, enquanto o banco central sinalizava que os juros curtos podem ainda subir.

4. A Ásia teve o pior dia da semana, com os chips no centro 📉

A sessão asiática abriu em queda pesada, a seguir ao tombo dos fabricantes de chips americanos na véspera.

Na Coreia do Sul, o KOSPI afundou 5,8% para 6.471,17 pontos. Chegou a cair mais de 6% na abertura e a bolsa acionou um sidecar, o mecanismo que suspende temporariamente a negociação automática. A Samsung Electronics caiu mais de 7% e a SK Hynix mais de 9%.

No Japão, o Nikkei 225 recuou 3,2% para 65.326,42 pontos, com o TOPIX a perder 3,1%.

A China e Hong Kong resistiram melhor. O Hang Seng fechou praticamente inalterado, com uma subida ligeira, mas a tecnologia caiu. A Baidu afundou cerca de 12% depois de apresentar resultados trimestrais bem abaixo do esperado, com lucro por ADS a cair de 12,06 para 7,22 yuan.

5. Trump suspende as tarifas de 50% ao Canadá 🇨🇦

Na noite anterior, e a poucas horas de as tarifas de 50% sobre bens canadianos entrarem em vigor, Donald Trump anunciou uma pausa de três dias, alegando um acordo por fechar com o governo de Mark Carney.

O impacto direto seria limitado. O que interessa aqui é o sinal para a renegociação do acordo comercial entre EUA, México e Canadá.

6. O petróleo continua a subir com o impasse no Irão 🛢️

O prazo de 60 dias para negociações entre os EUA e o Irão expirou na segunda-feira sem acordo. Trump confirmou que não há conversações em curso nem previstas.

O West Texas Intermediate subiu para perto dos 86 dólares por barril e o Brent aproximou-se dos 92. Os Emirados Árabes Unidos suspenderam todo o comércio e transações financeiras com o Irão depois de dois mísseis balísticos terem caído nas suas águas territoriais, sem danos.

Petróleo mais caro alimenta a inflação. E inflação mais alta é exatamente o cenário que a Fed disse que a levaria a subir juros.

7. Retalho americano: contas boas, previsões fracas 🛒

Foi dia de resultados dos grandes retalhistas, e o padrão repetiu-se: números do trimestre acima do esperado, ações a cair por causa do que vem a seguir.

A Target bateu as estimativas e subiu a previsão anual de vendas, com lucro por ação de 4,11 dólares no trimestre, o dobro do ano anterior. Mesmo assim as ações caíram no pré-mercado.

A Lowe's recuou cerca de 3,5% depois de uma previsão anual cautelosa, com a empresa a falar em pressão no consumo de bricolage.

A TJX caiu perto de 5%. Bateu nas receitas e nos lucros e subiu a previsão anual, mas a estimativa para o trimestre seguinte, entre 1,30 e 1,32 dólares por ação, ficou abaixo do consenso de 1,35.

8. Na Europa, bancos e tecnologia travaram a subida 🇪🇺

A Europa fechou dividida. Os bancos caíram apesar do alívio nos juros longos, com o BNP Paribas e o ING a perderem 2,4% cada e o Santander, a UniCredit e o Intesa Sanpaolo a recuarem 1,3%.

Na tecnologia, a ASML caiu 2,2% e a Infineon 4%, a acompanhar a correção no setor de infraestrutura de IA nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, outros nomes fora do radar habitual mexeram-se com força: a Estée Lauder disparou mais de 18% com resultados acima do esperado, enquanto a Nebius caiu 12,7% depois de anunciar uma emissão de 4,5 mil milhões de dólares em obrigações convertíveis. A Dell perdeu 7,2% e a CrowdStrike 7,1%.

Como fecharam os principais índices 🗓️

Índice Fecho Variação
S&P 500 (EUA) ~7.715 +0,3%
Dow Jones (EUA) n.d. +0,2%
Nasdaq Composite (EUA) n.d. +0,2%
STOXX Europe 600 ~652 inalterado
Euro STOXX 50 6.454 -0,2%
FTSE 100 (Reino Unido) 10.737 +0,2%
DAX (Alemanha) n.d. -0,6%
CAC 40 (França) n.d. -0,7%
Nikkei 225 (Japão) 65.326 -3,2%
KOSPI (Coreia do Sul) 6.471 -5,8%
Hang Seng (Hong Kong) n.d. +0,2%

Nas matérias-primas, o ouro negociou perto dos 4.420 dólares por onça e a prata acima dos 63 dólares.

O que fica no radar

O calendário aperta a partir de agora.

🗓️ Quinta e sexta-feira: os pedidos semanais de subsídio de desemprego nos EUA e os PMI preliminares de agosto, na Europa e nos Estados Unidos, dão a primeira leitura de atividade do mês. Com a Fed a falar em inflação, qualquer surpresa nos preços pagos pesa.

🗓️ 26 de agosto: a Nvidia apresenta resultados do segundo trimestre fiscal depois do fecho. É o evento com maior capacidade de mexer com o mercado inteiro, sobretudo depois de uma semana em que os semicondutores lideraram as quedas de Tóquio a Seul.

🗓️ 27 a 29 de agosto: o simpósio de Jackson Hole, organizado pela Reserva Federal de Kansas City, com o tema da inovação financeira nos pagamentos. O discurso do presidente da Fed, na manhã de dia 28, é o ponto alto e chega poucas horas depois da Nvidia.

Pelo meio continuam a pesar dois fatores fora do controlo das empresas: o desfecho das tarifas ao Canadá, com a pausa de três dias a expirar, e a evolução do conflito com o Irão, que está a manter o petróleo em máximos de três semanas.

Nota: os valores acima referem-se ao fecho da sessão de 19 de agosto de 2026 (ou ao estado do mercado perto do fecho, quando indicado) e podem sofrer revisões. Este artigo é conteúdo informativo e não constitui aconselhamento financeiro.

Perguntas frequentes

Porque é que as ações da Moderna dispararam a 19 de agosto de 2026?

A Moderna e a Merck anunciaram que a vacina personalizada de mRNA intismeran, combinada com o Keytruda, atingiu os objetivos num ensaio de fase 3 em doentes com melanoma. É o primeiro resultado positivo de fase 3 para uma terapia de mRNA individualizada contra o cancro. As ações chegaram a subir cerca de 160% na sessão.

O que são as recompras de dívida do Tesouro americano?

São operações em que o Tesouro dos EUA compra de volta obrigações já emitidas no mercado. Ao aumentar a procura por esses títulos, ajuda a travar a subida dos juros de longo prazo. A 19 de agosto de 2026 o Tesouro anunciou que vai pelo menos duplicar o tamanho máximo destas operações, de 2 para 4 mil milhões de dólares.

Porque é que o KOSPI caiu tanto a 19 de agosto de 2026?

O índice sul-coreano caiu 5,8% arrastado pelos semicondutores, depois da queda dos fabricantes de chips americanos na véspera. A Samsung Electronics recuou mais de 7% e a SK Hynix mais de 9%. A bolsa de Seul chegou a acionar um sidecar, que suspende temporariamente a negociação automática.

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