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Bolsa hoje: o dia em que os chips travaram, de Seul a Wall Street

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Bolsa hoje: o dia em que os chips travaram, de Seul a Wall Street
Foto de Sede da ASML, Veldhoven. Foto via Wikimedia Commons (ver autor e licença na página do ficheiro). no Unsplash

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A sessão mais recente foi dominada pela correção nas ações de inteligência artificial. Na Coreia, o Kospi ativou o segundo circuit breaker em dois dias. A ASML caiu com a concorrência chinesa em litografia. A Fed manteve os juros. A Europa fechou no verde, a Ásia dividida e Wall Street tentou estabilizar.

Foi um dia de vento contra para os chips. 💾

A correção nas ações ligadas à inteligência artificial saltou de Seul para Amesterdão e chegou a Wall Street. Memórias, litografia, fabricantes de equipamento… quase tudo o que tem "IA" colado ao nome andou debaixo de olho.

No meio disto, os índices divergiram. A Europa fechou no verde, a Ásia ficou dividida e os Estados Unidos tentaram estabilizar depois da queda pesada da véspera. Vamos por partes. 👇

As notícias que marcaram o dia

1. A Coreia do Sul a viver um crash de manual 📉

O Kospi voltou a cair e ativou o segundo "circuit breaker" em dois dias, algo inédito na sua história. Em duas sessões perdeu mais de 16%. Desde o máximo de junho, acima dos 9.100 pontos, já cede mais de 38%.

Atenção ao contexto, porque é importante: mesmo depois desta queda, o índice ainda sobe perto de 30% no ano.

Porque interessa 👉 a bolsa coreana é hoje um termómetro da IA. Quando o dinheiro foge das memórias, foge primeiro por aqui.

2. SK Hynix: lucro recorde que soube a pouco

A SK Hynix apresentou o trimestre mais lucrativo de sempre, com o resultado operacional a multiplicar-se quase por seis. Mesmo assim ficou abaixo do que o mercado esperava, e a ação afundou. Perdeu mais de 9% na véspera e caiu outros 5,6% hoje.

Porque interessa 👉 quando as expectativas estão nas alturas, "bom" já não chega. É preciso ser melhor do que o esperado. Não foi.

3. ASML e o susto vindo da China 🇪🇺

A holandesa ASML, a empresa mais valiosa da tecnologia europeia, caiu 3,62%. O gatilho foi uma notícia: a China terá começado a produzir máquinas próprias de litografia DUV, uma tecnologia que a ASML dominava quase em exclusivo.

Porque interessa 👉 parte da tese de investimento na ASML assenta nesse quase-monopólio. Se a China conseguir alternativas domésticas, a vantagem fica sob pressão. O mercado não esperou para reagir.

4. A Fed manteve os juros… e falou pouco 🏦

A Reserva Federal dos EUA deixou as taxas inalteradas. Três membros do comité queriam subir. O presidente, Kevin Warsh, repetiu o objetivo de levar a inflação de volta aos 2%, mas avisou que vai dar menos pistas sobre os próximos passos. A yield das obrigações do Tesouro a 10 anos subiu para 4,68%.

Porque interessa 👉 menos orientação da Fed significa mais incerteza. E incerteza costuma trazer sessões mais nervosas.

5. Samsung: números recorde, ação a cair

A Samsung Electronics reportou um lucro operacional recorde, em linha com o esperado. A ação ainda assim caiu 0,7%.

Porque interessa 👉 repara no padrão do dia. Resultados fortes nas fabricantes de chips, reação fria nas ações. O mercado está a olhar mais para o futuro da procura do que para o trimestre que passou.

6. Petróleo e Irão de volta ao radar 🛢️

O crude subiu com a reabertura do conflito entre os EUA e o Irão. O Brent negociou perto dos 88,60 dólares por barril e o WTI americano à volta dos 84,70. O tráfego no Estreito de Ormuz, rota crucial do petróleo, continua limitado, o que pressiona a oferta.

Porque interessa 👉 petróleo mais caro alimenta inflação. E inflação mais alta complica a vida à Fed, que já anda em cima do muro.

E na Ásia nem tudo foi vermelho. Em Tóquio, o Nikkei subiu 0,7%, com o fabricante de equipamento Tokyo Electron a ganhar 4,5% e a Kioxia 2,9%. Do outro lado, a SoftBank, grande investidora em IA, caiu 2,5%. Em Taiwan, a TSMC subiu uns ligeiros 0,2%.

Os fechos de sessão

Índice Região Fecho Variação
S&P 500 EUA 7.316,15 -1,5%
Nasdaq Composite EUA 24.442,94 -1,7%
Dow Jones EUA 51.594,14 -2,2%
Stoxx 600 Europa 647,29 +0,41%
DAX Alemanha 25.492,59 +0,52%
CAC 40 França 8.458,78 +0,63%
FTSE 100 Reino Unido 10.871,02 +0,83%
Nikkei 225 Japão 61.867,43 +0,7%
Hang Seng Hong Kong 25.857,11 +0,2%
Shanghai Composite China 3.801,67 -0,7%
Kospi Coreia do Sul 5.593,56 -1,2%

Nota sobre a tabela: os valores de Wall Street referem-se ao último fecho completo da praça americana. A sessão seguinte estava a estabilizar, com o S&P 500 a recuperar de forma ligeira, perto de +0,2%.

O que fica no radar 🗓️

A época de resultados das tecnológicas ainda vai a meio. Vêm aí mais números de empresas de chips e de IA, e o mercado vai continuar a testar a mesma pergunta: o investimento gigante em capacidade de IA está a gerar retorno suficiente? A entrada da China como concorrente sério, tanto em modelos como agora em equipamento, veio adicionar lenha a essa dúvida.

Fica também de olho na inflação e na leitura que a Fed fizer dela, agora com menos pistas em cima da mesa. E no dossiê do Irão, onde a evolução dos ataques e do tráfego no Estreito de Ormuz manda no preço do petróleo. Três frentes, o mesmo fio condutor: quanto risco é que o mercado está disposto a pagar.

Os próximos dias trazem mais resultados empresariais e novos dados macro. Vão ajudar a perceber se esta correção nos chips é uma pausa depois de meses de euforia ou o início de algo maior.

ℹ️ Os valores acima são fechos de sessão das respetivas praças. Este é um conteúdo informativo sobre o que aconteceu nos mercados, não é aconselhamento financeiro.

Perguntas frequentes

Porque é que o Kospi está a cair tanto?

A bolsa coreana está muito exposta às memórias e à IA. A SK Hynix e a Samsung pesam bastante no índice. Com dúvidas sobre a procura futura de chips de IA, os investidores venderam, e o Kospi ativou circuit breakers em sessões seguidas.

Porque caiu a ASML?

Surgiu a notícia de que a China começou a produzir máquinas próprias de litografia DUV, uma tecnologia que a ASML dominava quase em exclusivo. Isso ameaça parte da sua vantagem competitiva, e a ação caiu 3,62%.

O que decidiu a Fed?

Manteve as taxas de juro inalteradas. Três membros queriam subir. O presidente, Kevin Warsh, reafirmou a meta de 2% de inflação, mas disse que vai dar menos pistas sobre os próximos passos.

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