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Fundo soberano da Noruega propõe cortar cerca de 80 mil milhões de dólares em Treasuries dos EUA
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O gestor do fundo soberano norueguês propôs reduzir o peso das obrigações soberanas no seu índice de referência de 70% para 50%. Os Treasuries dos EUA passariam de 34,1% para 21,9% do índice, o equivalente a cerca de 80 mil milhões de dólares, a favor de dívida de empresas e títulos hipotecários. A decisão cabe ao Ministério das Finanças.
O gestor do fundo soberano da Noruega, o maior do mundo com cerca de 2,3 biliões de dólares em ativos, propôs uma redução significativa da sua exposição a dívida pública dos Estados Unidos, no âmbito de uma reformulação mais ampla da carteira de obrigações. A proposta consta de uma carta enviada ao Ministério das Finanças norueguês e publicada esta semana, segundo a Reuters e a Bloomberg.
De acordo com a carta, o Norges Bank Investment Management (NBIM) recomenda reduzir o peso das obrigações soberanas no seu índice de referência de obrigações de 70% para 50%, sendo os Treasuries norte-americanos, a maior posição, os mais afetados. Segundo cálculos da Reuters, a alteração implicaria retirar cerca de 80 mil milhões de dólares de uma carteira de aproximadamente 215 mil milhões de dólares em dívida pública dos EUA, com referência ao final de junho.
Em termos de ponderação, o peso das obrigações do Tesouro dos EUA no índice de obrigações passaria de 34,1% para 21,9%. A alocação a dívida da zona euro cairia de forma mais moderada, de 16,8% para 14,1%, enquanto a exposição a obrigações japonesas subiria de 4,6% para 7,4%. A posição no Reino Unido manter-se-ia em 4,2%.
A proposta prevê, em contrapartida, um reforço do investimento em dívida não soberana, incluindo obrigações de empresas e títulos hipotecários, com o objetivo de melhorar a diversificação e captar prémios de risco. A alocação a dívida norte-americana não governamental aumentaria de 16,2% para 27,6%, pelo que a exposição global do índice ao dólar recuaria apenas ligeiramente, de 52,9% para 52,5%.
Na carta, assinada pela governadora do Norges Bank, Ida Wolden Bache, e pelo presidente executivo do NBIM, Nicolai Tangen, é referido que uma quota de 50% em dívida soberana é suficiente para cobrir as necessidades de liquidez do fundo, mesmo em períodos de turbulência nos mercados.
O fundo indicou que aguarda a resposta do Ministério das Finanças e que qualquer alteração seria implementada de forma gradual, para limitar o impacto no mercado e os custos de transação. Segundo a TheStreet, os cortes dificilmente serão executados antes de vários meses de 2027. Numa carta separada, o NBIM propôs ainda considerar um aumento do investimento em ativos não cotados, em parte para reduzir o risco de concentração na carteira de ações, associado à valorização de um pequeno grupo de tecnológicas norte-americanas.
A proposta surge num momento em que os mercados de dívida pública têm estado sob pressão, com os custos de financiamento de longo prazo a subirem devido à inflação e aos níveis de endividamento público. O fundo norueguês detém, em média, 1,5% de todas as empresas cotadas a nível mundial.
Perguntas frequentes
Quanto detém o fundo norueguês em Treasuries dos EUA?
Cerca de 215 mil milhões de dólares no final de junho, segundo cálculos da Reuters. A proposta reduziria esse valor em cerca de 80 mil milhões.
A proposta já foi aprovada?
Não. O NBIM aguarda a resposta do Ministério das Finanças da Noruega e qualquer alteração seria gradual, dificilmente antes de 2027.
Para onde iria o dinheiro retirado da dívida soberana?
Para dívida não soberana, como obrigações de empresas e títulos hipotecários. A alocação a dívida norte-americana não governamental subiria de 16,2% para 27,6%.
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